Mês: Agosto 2016

A lista de patrimônios da UNESCO que você nunca ouviu falar- Pt. 2

Está curioso para conhecer o resto da lista da UNESCO que você nunca ouviu falar?

A lista é a de Bens Culturais Intangíveis da Humanidade.

Lá você não vai encontrar lugares, pontos turísticos ou construções. mas hábitos, tradições e representações culturais únicas da Humanidade.

A lista completa tem 391 elementos.  No artigo anterior coloquei a lista de Patrimônios Intangíveis do Brasil.

O artigo de hoje selecionei todos os Itens do resto do mundo que forem acrescentados à lista em 2015.

Muitos desses valem muito a pena se programar para ver pessoalmente.

Vamos?


1. Ritual para amansar Camelos

Continente: Ásia
País: Mongólia
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista de Patrimônio com Necessidade Urgente de Preservação

https://www.youtube.com/watch?v=8KmZiG4tCpU

Normalmente os camelos podem negar seus filhotes ou crias orfâs.

Os pastores da mongólia tem um ritual próprio para amansar os animais e ajudar o processo.

O Amansador realiza o ritual no anoitecer. Ele usa uma flauta ou o morin khuur, um tipo de violão ornamentado com uma cabeça de cavalo.

Ele toca e vai mudando a melodia dependendo da reação do camelo, que no início costuma ser bem agressiva.


2. Glasoechko, Canto de duas partes da região de Dolni Polog

Continente: Europa
País: Antiga Yuguslávia – Atual Macedônia
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista de Patrimônio com Necessidade Urgente de Preservação

Esse é um tipo de canto tradicional da região.

Ele é cantado sempre por um par de homens, ou três deles, em festas reuniões, casamentos, banquetes e diversos outros tipos de eventos sociais.

É uma forma de canto muito única, que tem a voz principal e a segunda voz “competindo” pelo foco da música.


3. Tradição oral Koogere dos povos Basongora, Banyabindi e Batooro

Continente: África
País: Uganda
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista de Patrimônio com Necessidade Urgente de Preservação

Cerca de 1.500 anos atrás existiu uma chefe muito importante do povo basongora chamada Koogere.

Ela foi dita como tendo uma incrível sabedoria e trouxe muita prosperidade para o território de onde liderou.

A tradição oral era composta por relatos e provérbios descrevendo a riqueza e abundância como recompensas do esforço e trabalho, ilustrando o encanto e heroísmo dela.

Sábios e anciôes, narradores e poetas, músicos e artistas, e pessoas da região passam a tradição de pai para filho dentro de casa.


4. Produção de Chocalhos

Continente: Europa
País: Portugal
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista de Patrimônio com Necessidade Urgente de Preservação

Os arte chocalheira como é dita em Portugal já existe a mais de mil anos. Os chocalhos existem para serem colocados no pescoço de ovelhas e vacas.

Os chocalhos são afinados em tons diferentes para que o pastor possa localizar os animais quando esses andam a pastar.

Assim, enquanto os animais pastam e caminham pelos pastos se forma quase uma música.


5. Vallenato, Música tradicional da Região de Magdalena Grande

Continente: América do Sul
País: Colômbia
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista de Patrimônio com Necessidade Urgente de Preservação

https://www.youtube.com/watch?v=NQHE5ZerF90

O ritmo do Vallenato é uma mistura entre diversas formas de expressão culturais do norte da Colômbia: canções de vaqueiros de Magdalena Grande, cantos dos escravos africanos e tradições dos povos indígenas da Serra Nevada de Santa Marta.

Além disso, influência da poesia espanhola e instrumentos europeus. São três instrumentos principais: Cajón para o ritmo, a Guacharaca e o Acordeón.

Esse ritmo é muito alegre, com músicas nostálgicas, sarcásticas e cheias de humor.


6. Arte de improvisação Aitysh / Aitys,

Continente: Ásia / Europa
País: Cazaquistão – Quirguistão
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

Aqui no Brasil conhecemos bem os Repentes, com interpretes famosos como Caju e Castanha.

O Aitysh é quase como um repente. Usam instrumentos como a “dombra” no Cazaquistão, ou o “komuz” no Quirguistão, ambos instrumentos de corda.

Os temas das improvisações são sempre algo da atualidade, seguidos de respostas humorísticas e reflexões filosóficas.

O ganhador é aquele que se mostras um músico mais virtuoso, ritmo, originalidade, capacidade de criação e sabedoria.

É muito popular em eventos, e tem uma importância social de trazer a tona temas que necesitam discussão na sociedade.


7. Artes Cênicas Tradicionais , Al-Razfa

Continente: Ásia
País: Emirados Árabes Unidos, Omã
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

Essa apresentação que combina dança e música é muito popular na região dos Emirados Árabes Unidos e em Omâ.

Essa apresentação cênica, praticada por pessoas de todas as idades e classes sociais, tem origem na celebração de vitórias.

Hoje é uma arte que se apresenta em casamentos, e festas nacionais.

Entre duas filas que ficam frente a frente uma com a outra, ficam bailarinas.

Um maestro cantor conduz a cena. OS interpretes formam dois coros que antam junto ao som de tambores e outros instrumentos musicais.


8. Alardah Alnajdiyah, espetáculo de danças, músicas de tambores e poemas cantados na Arábia Saudita

Continente: Ásia
País: Arábia Saudita
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

O Alardah Alnajdiyah é um espetáculo que marca o início e o fim de acontecimento especiais como festas religiosas, casamentos, nascimentos, formaturas acadêmicas e outros eventos de importância local e nacional.

Os homens fazem parte da apresentação enquanto as mulheres participam confeccionando as roupas.

A apresentação é muito difícil de ser explicada. Veja o vídeo para ficar mais clara. Porém, vale ressaltar que um poeta entoa versos relacionados com o motivo da festa celebrada, enquanto os participantes retornam versos como resposta.

Depois dos versos e das batidas do tambor, todos se reúnem em volta da bandeira.


9. Café Árabe, um símbolo da generosidade

Continente: Ásia
País: Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã, Catar
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

O ritual do café árabe é algo difundido por toda a região sem importar qual a classe social, ou idade das pessoas.

Todo o processo acontece na frente dos convidados: a seleção dos grãos, a moenda dos grãos em um pilão de cobre, o fervimento da infusão em uma chaleira de cobre, e claro, servir o mesmo.

Eles servem somente 1/4 dos pequenos copos usados. Todos os convidados tem que beber pelo menos 1 mas não mas do que 3 dessas.

O primeiro a ser servido é sempre o convidado mais importante ou o mais ancião.

É um elemento muito importante da hospitalidade das sociedades árabes, e por isso, considerado um ato de generosidade.


10. Cultura da Gaita de Fole

Continente: Europa
País: Eslováquia
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

Quando você pensa na gaita de fole que país que pensa? Escócia? Pois é. Na verdade, o país que tem uma cultura muito forte de gaita de fole não é por lá, mas na Eslováquia.

Por lá, o instrumento traz um conjunto de expressões culturais e conhecimentos do instrumento e seu uso, como estilos e arranjos musicais, cantos e danças, fabricação do instrumento, tradições e costumes populares e expressões verbais específicas.

E isso atinge todo o país, tanto no lado cultural, como no lado de educação e até economia ligada ao instrumento.

Quando tocados em eventos sociais coletivos as músicas trazem aquele senso de identidade entre os eslovacos.


11. Equitação clássica e alta escola da Escola Espanhola de Viena

Continente: Europa
País: Áustria
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

A Escola Espanhola de Equitação de Viena se baseia na arte e prática de todas as etapas que envolvem a equitação: :desde a cría, a doma e a monta dos cavalos Lippizzanos.

Essa tradição cultural ancestral se baseava na relação duradoura entre diversas pessoas, os criadores, os caseiros, os artesãos, os montadores e os cavalos.

Assim, cada um deles cuidavam de uma parte do processo. E por último tinham ajuda de veterinários para cuidar da saúde dos animais.

A escola tem um processo único para ensinar todas as etapas para os alunos, e o treinamentos dura anos. Isso já virou uma identidade da região.


12. Artesanato de Cobre de Lahij

Continente: Europa / Ásia
País: Azerbaijão
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

O trabalho com cobre, desde sua fundição, molde, artesanato e venda do produto são uma tradição cultural passada de pais para filhos. Já fazem parte da cultura do Azerbaijão.

O processo é coordenado por um Mestre fundidor e seu ajudante. O ferreiro acende o fogo com auxilio de uma fole para oxigenar o fogo, e martela o mesmo até formar placas bem finas.

Então um caldeireiro vai polir e ornamentar até que tenha o produto acabado.

Com o produto acabado, o Mestre fundidor se encarrega de vendê-los e remunerar o trabalho dos artesãos que trabalharam na produção.


13. Arte épica de Görogly

Continente: Ásia
País: Turcomenistão
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

A arte de usar metáforas e contar histórias para ensinar as pessoas de uma forma que elas guardem é muito popular no mundo. Para o povo do  turcomenistão, é a Arte do Görogly.

E uma arte oral de contar histórias, que conta a jornada de um herói legendário e seus 40 cavalos.

A história é uma verdadeira enciclopédia de conhecimentos e costumes tradicionais de cria do gado, de medicina tradicional, entre diversas outras.

Nessa história se passam as aspirações de felicidade, liberdade e justiça e valores como coragem, honra, amizade, tolerância e igualdade.

A performance acontece normalmente em eventos como festivais culturais, celebrações nacionais, e eventos sociais.

(o vídeo que encontrei é bem longo.


14. Fichee-Chambalaalla, festa de celebração do Ano Novo do povo Sidama

Continente: África
País: Etiópia
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

https://www.youtube.com/watch?v=KRcVVvYWzM4

De acordo com a tradição a festa comemora um feita de uma mulher de sidama. Depois de casa ela vinha todos os anos encontrar seus pais e parentes, e trazia “”buurisame””, uma comida típica feita com “”banana falsa””, mantega e leite para compartilharem com os vizinhas.

No final esse hábito passou a ser um símbolo de união para os sidamas, e todos os anos os astrólogos determinam a data exata da celebração.

No dia correto ocorrem eventos coletivos como cantos e danças ancestrais, em que participam todos, independente do sexo, idade ou classe social.


15. Filete porteño, uma técnica de pintura tradicional de Buenos Aires

Continente: América do Sul
País: Argentina
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

O Filete porteño é uma técnica tradicional de pintura que combina cores vivas com estilos de desenho específicos.

Na cidade de Buenos Aires você pode encontrar as pinturas em ônibus urbanos, caminhões e até em placas e frente de lojas e armazens, sendo cada vez mais frequente na região.

As imagens tem relação com patrimônio cultural da cidade, elementos de carater social ou religioso e são uma forma de memória coletiva.

O ensino da técnica não é ensinado em cursos de ensino tradicional, mas os artesãos transmitem a técnica a todas as pessoas que queiram.

Com novas gerações aprendendo a técnica e a praticando está surgindo uma nova forma de fazer o filete porteño.


16. Danças de rapazes na Romênia

Continente: Europa
País: Romênia
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

A dança de rapazes é um dos gêneros populares da Romênia. Ela se pratica nas comunidades não só em celebração de casamentos e dias festivos, mas também objeto de representações cênicas.

Os grupos de bailarinos podem ser formados por homens de todas as idades – de 5 até 70 anos – e também pode incluir tanto romanos, como húngaros e ciganos. .

Cada comunidade tem sua própria variante da coreografia que expressa sua virtuosidade e combinação de movimento e ritmo.


17. Majlis, um espaço cultural e social

Continente: Ásia
País: Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã, Catar
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

Ajlis é uma palavra que significa literalmente “lugar para sentar”. É um lugar onde os membros da comunidade se reúnem para discutir eventos e temas locais, trocar notícias, receber convidados, fazer amigos e se divertir.

Também podem ser um lugar vasto de reunião comunitária, coberto de carpete, e paredes com almofadas presas nas paredes, onde se resolvem problems, se confortam alguém depois de algum falecimento e se celebram casamentos.

Apesar da diferença de gêneros, mulheres também tem seus próprios majlis.

Eles tem um papel importante na transmissão do patrimônio cultural oral: contos canções populares, poemas. Os filhos vão com seus pais, que podem de maneira informar já acompanhar e aprender valores, e já fazer parte.


18. Música de Marimba e cantos e danças tradicionais da região colombiana do Pacífico Sul e da Província equatoriana de Esmeraldas

Continente: América do Sul
País: Colômbia, Equador
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

A música da Marimba e os cantos e danças tradicionais são uma herança importante da população descendente de africanos que está na região colombiana do Pacifico Sul, e na província de Esmeraldas no Equador.

Os homens e mulheres da comunidade cantam letras de relatos e poemas, acompanhando suas interpretações com movimentos rítmicos corporais. Eles seguem com a dança em caráter ritual, religioso ou festivo para celebrar a vida, render culto aos santos ou despedir-se de defuntos.

A música é tocada com um xilofone de madeira de palma, equipado com tubos de bambú para ressonância. Para acompanhar, seguem-se os sons de tambores e maracas.

É uma tradição que difunde o contato entre diferentes gerações, além de gerar interação social e de identidade.


19. Oshituthi shomagongo, festival dos frutos da Marula

Continente: África
País: Namíbia
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

Esse festival acontece no final de março e início de Abril, durante 3 dias. Oito comunidades aawambo do norte da Namíbia fazem parte do evento, e se centra no consumo de uma bebida elaborada com os frutos da Marula, o “omagongo”.

Os hábitos de fazem parte das tradições culturais e sociais de lá: homens preparam taças de madeira, usam abóboras secas para acondicionar a bebida e elaboram instrumentos para perfurar os frutos, feitos de chifres de vaca.

Já as mulheres, tecem cestos e fabricam vasos de barro que servirão para elaborar o “omagongo”. Depois com ajuda dos seus filhos coletam os frutos maduros, extraem seu suco e os colocam para fermentar nos vasos entre 2 a 7 dias.

Enquanto a fermentação acontece eles se reúnem para conversar sobre questões que queiram, como problemas familiares, por exemplo, e entoam cantos tradicionais, recitam poemas e fazem troca de conhecimentos sobre cestaria e olaria.

Uma vez que o processo termina, é servida é bebida junto com preparações culinárias tradicionais aos membros das comunidades e os convidados. O evento é um acontecimento social importante, na qual os homens contam seus relatos aos participantes, além de criar e fortalecer amizades, cantar e danças.


20. Peregrinação anual ao mausoléu de Sidi El Hadj Belkacem em Gourara

Continente: África
País: Argélia
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

A peregrinação acontece todos os anos. Nela, peregrinos da região do Sahara da Argélia visitam tumbas de santos para celebrar o nascimento do profeta Maomé.
Ela dura uma semana e apresenta uma séria de práticas culturais de caráter festivo. Principalmente atividades coletivas como cantos e danças.
No sétimo dia, os peregrinos se reúnem em uma praza vizinha a uma escola situada no centro de Gurara, onde se encontra o mausoléu de Sidi El Hadj Belkacem.

As mulheres também participam das cerimônias fazendo seus tradicionais gritos de júbilo; e uma semana antes do final da peregrinação, elas seguem com o chamado “rito da moenda”, na qual trituram o primeiro punhado dos cereais que vão ser usados para preparar o cuscús consumido pelos peregrinos.

As comunidades que seguem com o Sbuâ consideram essas peregrinações como um expressão de sua história e dos seus vínculos que as unem entre si.


21. Festivais do Fogo do Soltício de Verão nos Pirineus

Continente: Europa
País: Andorra, Espanha, França
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

As festas do fogo são muito tradicionais na região dos Pirineus. Elas acontecem todos os anos durante a noite do solstício de verão.

Assim que cai a noite, os habitantes saem com tochas acesas, desde os altos das montanhas até os povoados e cidades, colocando fogo em diversas fogueiras de maneira tradicional.

Para os adolescentes é um momento importante que simboliza seu passo para a idade adulta. Já para todo o povo, é uma ocasião para refazer vínculos sociais e fortalecer sentimentos de pertencimento, identidade e continuidade das comunidades.

Por isso a celebração é acompanhada de comidas compartilhadas, música e danças folclóricas.

No dia seguinte os vizinhos retiram as brasas e cinzas das fogueiras e as levam para suas casas e hortas para proteção.


22. Surova, festa popular da região de Pernik

Continente: Europa
País: Bulgária
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

A festa acontece nos dias 13 e 14 de janeiro de cada ano para celebrar o Ano Novo na Bulgária, de acordo com um calendário antigo.

Ela nada mais é do que uma festa de máscaras celebrada pelos povos da região. Na primeira noite os figurantes vestem máscaras e disfarces preparados especialmente para esta ocasião, e vão ao centro do povo para acender fogueiras e divertir-se com os presentes.

Alguns participantes representam determinados personagens, como o chefe, o sacerdote, o urso, ou os recém-casados.

No dia seguinte, logo pela manhã, os figurantes se juntam e percorrem todo o povo, visitando as famílias em suas casas para que o sacerdote “case” os casais jovens, e o urso dê boa saúde a todos com empurrões.

Depois do desfile, todos os presentes e dinheiro coletado são doados aos órfãos e às pessoas pobres. As famílias se dedicam durante todo o ano para reunir os materiais necessários para confeccionar as máscaras e outros elementos da festa.


23. Três gêneros de danças tradicionais de Bali

Continente: Ásia
País: Indonésia
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

Em Bali, existem três gêneros de dança tradicional: o sagrado, o semisagrado e o destinado ao regozijo da população em geral.

Todas as danças são executadas por bailarinos e bailarinas vestindo roupas tradicionais de cores vivas, ornamentadas com motivos dourados de flores, animais, ou outros. Também levam jóias e diversos acessórios cobertos de folhas ouro.

Todas as danças são inspiradas na natureza e simbolizam tradições, costumes e valores religiosos específicos.

A música é feita por uma orquestra de instrumentos de percussão conhecida como “gamelán”.

A tradição é passada para os filhos de maneira informal desde que eles são bem pequenos, nas escolas e com os pais, e família.


24. Artesanato de Mármore de Tinian

Continente: Europa
País: Grécia
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

A arte de esculpir mármore é uma expressão da identidade cultural da ilha de Tinos.
Os marmoristas apresentam conhecimento empírico sobre a composição e estrutura das rochas de mármore, as propriedades de cada tipo e a manipulação de suas veias.

Eles produzem diversos desenhos, modelos e símbolos tradicionais como árvores, flores, pássaros e navios. Todos se baseiam em um conjunto simbólico comum de tradições religiosas, mágicas e orais. Eles esculpem edifícios, placas de caminhos, igrejas e cemitérios. Os trabalhos podem acontecer individuais ou em grupos para obras maiores.

Os conhecimentos e técnicas são passados através de práticas ancestrais. Os aprendizes começam realizando tarefas de menor importância, como ordenar as ferramentas dos mestres e limpar as oficinas, até que passam a desenhar e adquirir a destreza manual necessária.

Depois de terminada a formação, os aprendizes recebem o título de mestres artesãos, e um conjunto pequeno de ferramentas. Cerca de um quarto dos aspirantes são mulheres, mostrando que a representatividade das mulheres cada vez aumenta mais. (Pouco tempo atrás era uma atividade puramente masculina).


25. Preparação tradicional do “kimchi” na República Democrática da Coréia

Continente: Ásia
País: República Democrática da Coréia
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

O kimchi é uma preparação culinária feita a base de diversas verduras e hortaliças ou plantas silvestres, temperadas com especiarias, frutas, carne pescados ou mariscos fermentados antes de sofrer fermentação alcoólica.

Apesar de a preparação tradicional ter centenas de variantes de ingredientes e receitas, que variam conforme as condições climáticas e gostos das famílias, a forma de preparar no geral é a mesma em todo o país.

A cultura é passada de geração em geração de mãe para filha, de sogra para nora, de vizinho para o outro e por aí vai.


26. Conhecimentos e técnicas tradicionais vinculadas ao cultivo e processamento da “curagua”

Continente: América do Sul
País: Venezuela
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

A curagua, por aqui conhecido como abacaxi-de-jardim, é uma planta da família das Bromélias. Os conhecimentos e técnicas tradicionais de cultivo e processamento da curagua são bem complexos.
Eles vão desde saber as diversas maneiras de cultivo da planta até a extração das suas fibras brancas, conhecidas por sua solidez, resistência e suavidade.

Com as fibras é possível confeccionar uma série de objetos artesanais. Dentre eles se destaca os hamacas, que se tornaram um emblema da região de Agausay.

Como a extração das fibras exige força, tradicionalmente é feito por homens, Já as mulheres se encarregam de tecer e fabricar os produtos artesanais.

Esses hábitos são muito importantes para manter uma coesão social das famílias, criar um senso de comunidade entre as famílias, e dentro delas, e também trazer o seu sustento. E nesse modelo o papel das mulheres é muito importante pelo seu trabalho criativo e geração de receita.

Os ensinamentos são passados de geração à geração pela tradição oral, observação e imitação dos pais e familiares.


27. Ritos e Jogos de Cabo de Guerra

Continente: Ásia
País: Camboja, Filipinas, Republica da Coreia, Vietnã
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

Sabe aquele famoso cabo de guerra que você participou um dia na sua vida? Pois é, na região da Ásia Oriental e Sul-oriental ele é mais do que um jogo.

Nessas culturas tradicionalmente cultivadores de arroz, são praticados os cabos de guerra como uma forma de propiciar colheitas abundantes e prosperidade. Essas práticas marcam o começo de um novo ciclo agrário e contribuem para fomentar a solidariedade e diversão entre os membros da comunidade.

Muitos desses ritos tem um fundo religioso. Diferente da forma como brincamos ele não tem, por lá, caráter competitivo. Ao invés de exaltar a vitória ou derrota, eles exaltam a cooperação mútua.

Por isso, mais do que a corda, existem os ritos de celebração para exaltar esses valores de unidade e solidariedade e o pertencimento e identidade


28. A Dança do Wititi no Vale do Colca

Continente: América do Sul
País: Peru
Ano de Reconhecimento: 2015
Status: Lista Regular de Patrimônios Intangíveis da Humanidade

 

No Peru, no vale do Colca a dança do Wititi é uma dança bem popular e tradicional que marca o início da vida adulta.
A dança assume uma espécie de cortejo amoroso, onde os jovens normalmente as interpretam durante as festividades religiosas celebradas durante toda estação de chuvas.

Os pares de bailarinas e bailarinos se colocam em filas e executam diversos passos durante a música. As bailarinas vestem trajes de bordado fino com motivos da natureza, bem coloridos. Os bailarinos levam duas saias de mulher por cima de uma camisa militar, um chalé e chapéus.

A representação coincide com o ciclo de produção agrícola e simboliza o renovo da natureza e da sociedade. Os povos da região estão sempre competindo para apresentar os melhores conjuntos de dança, o que sempre traz renovação à arte.

Os pequenos aprendem o wititi pela observação direta, tanto nas escolas, como em festas familiares de batismos, aniversários e casamentos.